'Discriminação de classe', diz secretária de federação das domésticas após fala de Guedes


'Discriminação de classe', diz secretária de federação das domésticas após fala de Guedes


Data: 13/02/2020

A secretária geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Creuza Maria de Oliveira, avaliou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (13), que a declaração do ministro Paulo Guedes sobre as trabalhadores viajarem antes para ir a Disney é uma "discriminação de classe".

"Essa fala dele é uma discriminação de classe, porque somos trabalhadoras e fazemos parte da classe operária brasileira e não podemos ser destratadas dessa forma. A gente sabe que isso que ele falou, que doméstica ia para Disney antes, que é bom que o dólar fique alto para essas mulheres não poderem...É um absurdo isso. Se essas trabalhadoras ganhassem o suficiente para ir para Europa e outros lugares, era o direito delas de gastar o dinheiro delas como quisessem", afirma Creuza.

Para ela, a fala do titular da Economia foi "infeliz" e entristece a categoria profissional. "Porque são cerca de oito milhões de trabalhadoras domésticas nesse país. São trabalhadoras que contribuem para a economia mundial e ontribuem para que ele inclusive esteja falando essas besteiras, porque ela está cuidando da casa e da roupa, fazendo o trabalho na casa dele, provavelmente, e tem que ser respeitada", defende. 

A presidente do sindicato ainda pondera que, na realidade de hoje, a maioria das trabalhadoras domésticas estão perdendo os empregos e ganhando menos de um salário mínimo.

"Então a realidade dessas trabalhadoras não é de ir para Disney e Europa. Elas têm dificuldade de dinheiro do transporte de levar filho para praia, para o parque. Agora as trabalhadoras que viajam para a Disney viajam com os patrões, para tomar conta das crianças, viajam a trabalho. Agora se elas ganham suficiente para fazer lazer, é um direito de qualquer cidadão que trabalha para gastar como bem quiser", considera.

Fala do ministro

O comentário de Guedes foi feito após o dólar ter alcançado o quarto recorde consecutivo em relação ao real nesta quarta-feira (12).

"O câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear o Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver", disse, em evento em Brasília.

Na ocasião, ele ainda tentou evitar a polêmica que a frase envolvendo trabalhadores domésticos poderia causar. 

"Antes que falem: 'Ministro diz que empregada doméstica estava indo para Disneylândia'. Não, o ministro está dizendo que o câmbio estava tão barato que todo mundo está indo para a Disneylândia, até as classes sociais mais...Todo mundo tem que ir para a Disneylândia conhecer um dia, mas não três, quatro vezes por ano. Porque com dólar a R$ 1,80 tinha gente indo quatro vezes por ano. Vai três vezes para Foz do Iguaçu, Chapada Diamantina, conhece um pouquinho do Brasil, vai ver a selva amazônica. E na quarta vez você vai para a Disneylândia, em vez de ir quatro vezes ao ano", acrescentou.

*Com informações de metro1

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