Clarindo Silva...


Clarindo Silva...


Data: 29/06/2020

Por Adson Brito Do Velho.


Uma das figuras, mais conhecidas de Salvador, que ao falar para a professora, que queria ser advogado, ela questionou: "advogado, preto?"
Clarindo Silva é uma das figuras mais emblemáticas, do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, proprietário da famosa Cantina da Lua.
DE EMPREGADO DOMÉSTICO A JORNALISTA DE A TARDE.
Nascido em Conceição de Almeida, interior da Bahia, aos 12 anos de idade, veio para Salvador, para trabalhar como empregado doméstico.
Fez de tudo na vida: batedor de ferrugem, auxiliar de balcão, balconista, sub-gerente, gerente, contador e jornalista, inclusive escrevendo, para os conceituados, A Tarde e a Tribuna da Bahia.
NÃO TINHA CADERNO.
Quando criança, passou por grandes dificuldades financeiras, ao ponto de ir para a escola, sem ter ao menos um caderno, pois escrevia em papel de embrulho.
ADMISSÃO NO SEVERINO VIEIRA.
Na época, para dar continuidade aos estudos, os alunos deveriam, passar por um rigoroso teste, chamado de "admissão" e o sonho de muitos, era passar na admissão do Severino Vieira.
Ao falar para uma professora que queria fazer admissão no Severino, ela disse que ele, não teria condições (intelectuais) e deveria fazer pelo ICEIA ou no Duque de Caxias, que era mais fácil para ser aprovado.
Enfrentou a sua própria realidade e tentou pelo Severino Vieira, sendo aprovado com nota 10,0.
ADVOGADO PRETO?
Ao ser questionado, pela professora chamada Calamidade, o que gostaria de ser na vida e ter respondido "advogado", ela foi inquisidora: "Advogado, preto?!?".
PRESERVAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO
Clarindo Silva, escreveu a sua própria história, como um agitador cultural e sua incessante luta, pela defesa dos comerciantes e do patrimônio histórico do Pelourinho.
Aos 78 anos de idade e 48 anos à frente de um dos mais importantes e badalados point da capital baiana, a Cantina da Lua, resiste.
PRIMEIRAS REUNIÕES DO POVO NEGRO.
A Cantina da Lua, que nos anos 70 e 80, foi um ponto de efervescência cultural, frequentado por turistas de todas as partes do Brasil e do mundo, e também por músicos, poetas, jornalistas, radialistas, políticos e a comunidade local.
Inclusive, a Cantina da Lua,que serviu de cenário, para as primeiras reuniões dos blocos afros, Ilê Aiyê, Olodum e Badauê, bem como do MNU, o Movimento Negro Unificado, continua, firme e resistente.
O DOM QUIXOTE DO PELOURINHO.
O militante negro, das questões sociais do Pelô, foi tema do livro, "Clarindo Silva, o Dom Quixote do Pelourinho", da autoria do jornalista, Vander Prata.
UNIVERSIDADE DE PARIS.
Hoje, Clarindo Silva é Doutor Honoris Causa, pela Université Libre des Sciences de L'Homme de Paris, título concedido, por sua luta, pela preservação de um dos patrimônios culturais da humanidade: o Pelourinho.
GUERRA COM OS GORDINHOS.
No ano de 2008, foi alvo de uma grande polêmica, envolvendo Justiça, Ministério Público, por causa dos seus 58 quilos!
Explicando melhor: com sua habitual magreza, Clarindo Silva, quebrou um tabu, ao ser eleito Rei Momo, do carnaval de Salvador, cargo tradicionalmente destinado aos gordinhos.
Os demais candidatos, entraram na Justiça e Clarindo foi destituído do cargo, pela juíza Aidê Ouais, mas acabou vencendo e tornou-se o primeiro e único Rei Momo magro, de Salvador, recebendo as chaves das mãos do prefeito e comandou, o maior carnaval de rua do planeta.
COROA ROUBADA.
Recentemente, junho de 2020, a Cantina da Lua, foi arrombada e levaram diversos objetos, inclusive a coroa, que ganhou ao tornar-se o rei da folia baiana.
Clarino Silva, é gente da terra!

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