Saúde


Governo vai ampliar vacinação contra febre amarela com doses fracionadas


Data: 09/01/2018

Dose fracionada atende a quatro pessoas e protege por oito anos.

Moradores de 75 cidades de SP, Rio e Bahia vão receber essa vacina.

O Ministério da Saúde vai ampliar a vacinação contra a febre amarela em três estados e decidiu fracionar a dose, que agora vai poder ser aplicada em até quatro pessoas.

Quase 20 milhões de pessoas deverão ser vacinadas nos próximos dias, 15 milhões com a vacina fracionada. A dose, que antes era usada em apenas uma pessoa, poderá vacinar até quatro pessoas. Moradores de 75 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia vão receber a dose fracionada.

Em São Paulo, a campanha vai de 3 a 24 de fevereiro. No Rio e na Bahia, de 19 de fevereiro até 9 de março.

Mas mesmo nessas cidades, alguns grupos vão continuar recebendo a dose padrão, a inteira: crianças maiores de nove meses e menores de dois anos de idade; pessoas com doenças como Aids ou, por exemplo, quem concluiu tratamento com quimioterapia; grávidas; e quem viaja e precisa da vacina contra a febre amarela. Já os idosos vão ser avaliados caso a caso.

A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde afirmam que a dose inteira vale para a vida toda. Quem receber a dose fracionada, vai ter um selo na carteira de vacinação. Segundo o governo, a vacina protege por oitos anos.

“Quando se fala em oito anos, não quer dizer que a vacina tem uma validade de oito anos, quer dizer que está comprovado, atestado, que após oito anos esses indivíduos mantêm a soropositividade, ou seja, a proteção, os anticorpos para a febre amarela, e, portanto, estão protegidos”, afirma a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade. 

O Ministério da Saúde também informou que vai cadastrar as pessoas que receberem essa vacina.

Desde julho do ano passado, foram confirmados 11 casos de febre amarela no Brasil. Oito em São Paulo, um no Rio, um em Minas e um no Distrito Federal. Quatro pessoas morreram.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que não falta vacina e que o fracionamento é uma medida preventiva: “É uma medida emergencial. Quando a gente identifica o macaco com febre amarela nós temos que dar cobertura vacinal à população que está no entorno. Como são áreas com grande número de habitantes, nós fracionamos a vacina para garantir cobertura rápida em pouco espaço de tempo.”

A vacina fracionada já foi usada na República Democrática do Congo, na África, em 2016.

A vacina fracionada não é consenso entre os infectologistas. Eles concordam que numa situação de emergência como essa, para tentar evitar um novo surto como o do primeiro semestre do ano passado, ela é necessária. E alertam que a fracionada não pode ser definitiva antes que sejam realizados novos estudos.

“A estratégia é uma estratégia de curto prazo para nós fazermos um cordão de proteção. Agora, se isso vai depois se tornar uma política fixa no calendário do programa nacional de imunizações, isso ainda deverá ser definido com outras evidências científicas”, afirma José David Urbaez Brito, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Fonte: http://g1.globo.com/